segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Estiagem no sistema Cantareira acabou? 19/08/2014

Saudações a todos!

   E a grande notícia do dia: chuvas são registradas em regiões no sul mineiro! Ontem a estação automática de Gonçalves, instalada em uma pousada, registrou quase 30 mm de chuva, e hoje já tinha registrado mais poucas precipitações. Tudo bem, você deve estar pensando, lendo esse meu comentário acima: E daí?

   Vamos começar do princípio básico da dinâmica dos líquidos: para que um recipiente fechado se encha, deve receber água de algum lugar. Se abrimos a tampa e a água vem de cima, logicamente, se não houver evaporação, o recipiente irá se encher. Também, logicamente, se não tiver rachado também, o recipiente se manterá cheio por mais tempo.

   Para que as represas do complexo da Cantareira se encham, basicamente precisam de alguma água a mais que a evaporação total do sistema, ou água a mais que a perda pelo solo (absorção) + evaporação + distribuição subterrânea (quanto de água se empresta entre os reservatórios do sistema e entre os sistemas interligados).

   Pois bem, as áreas de captação de água do sistema Cantareira tem sua origem no sul mineiro, atrás da Serra da Mantiqueira, considerando um observador situado no meio do Vale do Paraíba. Portanto, chuvas em Campos do Jordão, São José dos Campos, Jacareí, Resende, Itatiaia nada ajudam na captação de águas do sistema. Já cidades como Joanópolis, Maria da Fé, Camanducaia, Itamonte, Itajubá, Gonçalves e Bragança Paulista, estas recebendo chuvas, ajudarão fatalmente a encher o recipiente, ops reservatório, desde que em volumes suficientemente grandes. 30 mm em Gonçalves foi um volume grande de chuva. Mas se pegarmos toda a área de captação, ainda assim foi uma cócega em termos de volumes necessários.

   
    E porque choveu lá no sul mineiro? 

   Estamos sob uma situação de instabilidade atmosférica interessante: há um cavado na altura do oceano, responsável por permitir a formação de nuvens de desenvolvimento vertical, aquelas que trazem chuva e também raios ou mesmo granizo e vendaval. Tanto que não foi só lá que choveu, observei pontos de chuva forte no município de São Paulo, caso de Itaquera e São Mateus, São Bernardo do Campo, e outras áreas da região.

   Curiosamente, estamos no inverno. Logo, em uma época que o aparecimento de sistemas não ligados a ramos frontais (como as frentes frias) não são comuns, logo foi uma situação bem-vinda. Normalmente essa instabilização a essa época do ano seria mais prevista para os estados acima do Rio de Janeiro, pois são locais que ficariam no limite do avanço de uma frente fria. 

   Se há um bloqueio atmosférico, possivelmente causado por uma alta pressão em localização atípica, sobre SP e sul mineiro, e se há alimentação de vento úmido amazônico nessa época do ano, cria-se uma condição típica de verão mesmo que não haja calor tal como na mais quente das estações. E a curiosidade vai mais além: este bloqueio determinado por limites de massa quente equatorial e fria subtropical, vai persistir ao menos mais uns 3 dias, o que quer dizer que haverão lugares que captarão água exatamente onde facilitaria o armazenamento da Cantareira.

   Isso não quer dizer que as represas do sistema se encherão rapidamente, mas que o ritmo de perda diminua o suficiente para o início da temporada das chuvas, por volta de Novembro e Dezembro. O reflexo imediato das chuvas deste cavado, foi a redução pela metade da perda de água do sistema. antes disso, perdia 0,2% ao dia, hoje está perdendo 0,1%. A continuar o cavado, o ritmo de perda pode zerar daqui a 3 dias. Ao menos, um alívio temporário nos cálculos de tempo para a seca total do complexo.

Abraços a todos!